Isto, meus amigos, é exaltação. Exaltação feita de cimento e lágrima.
Amou daquela vez como se fosse a última Amou daquela vez como se fosse o último Amou daquela vez como se fosse máquina Beijou sua mulher como se fosse a última Beijou sua mulher como se fosse a única Beijou sua mulher como se fosse lógico E cada filho seu como se fosse o único E cada filho seu como se fosse o pródigo E atravessou a rua com seu passo tímido E atravessou a rua com seu passo bêbado Subiu a construção como se fosse máquina Subiu a construção como se fosse sólido Ergueu no patamar quatro paredes sólidas Ergueu no patamar quatro paredes mágicas Ergueu no patamar quatro paredes flácidas Tijolo com tijolo num desenho mágico Tijolo com tijolo num desenho lógico Seus olhos embotados de cimento e lágrima Seus olhos embotados de cimento e tráfego Sentou pra descansar como se fosse sábado Sentou pra descansar como se fosse um príncipe Sentou pra descansar como se fosse um pássaro Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago Bebeu e soluçou como se fosse máquina Dançou e gargalhou como se ouvisse música Dançou e gargalhou como se fosse o próximo E tropeçou no céu como se fosse um bêbado E tropeçou no céu como se ouvisse música E flutuou no ar como se fosse um pássaro E flutuou no ar como se fosse sábado E flutuou no ar como se fosse um príncipe E se acabou no chão feito um pacote flácido E se acabou no chão feito um pacote tímido E se acabou no chão feito um pacote bêbado Agonizou no meio do passeio público Agonizou no meio do passeio náufrago Morreu na contramão atrapalhando o tráfego Morreu na contramão atrapalhando o público Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
Comentários (8)
Carla 2014-01-30 17:36
Conclusão, flutuar assim no ar nunca é boa ideia, acabar no chão feito um pacote bêbado muito menos.
H4rdDrunk3r 2014-01-31 21:36
Angus e Julia Pedra 2014-02-03 14:45
letras e numeros que não consigo dizer, vê lá tu que acabei de pôr aqui um texto lindo, e fiz a coisa com oh palavras
Carla 2014-02-03 14:49
Os que sabem tudo são uns sabões e os sabões usam-se para esfregar nódoas - se me explicares este pensamento, dou-te um sabão azul (tenho de ir tomar os comprimidos para a febre, está bom de ver).
um ar por aí 2014-02-04 14:45
ou seja os sabões esfregam-se nas nódoas
ou seja os sabões precisam das nódoas para se cumprir
por outro lado, as nódoas estão-se marimbando para os sabões, aliás até fogem deles
aguardo o azul, mas sem o paulo fonseca
um ar por aí 2014-02-04 14:49
a musica é repetitiva? já olhaste à tua volta?
por exemplo para o planeta?
pois. construção.
a letra? como já gastei mais que devia, ponho de lado a parte poética da coisa e deixo o lado enciclopédico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Constru%C3%A7%C3%A3o_(can%C3%A7%C3%A3o_de_Chico_Buarque)
Carla 2014-02-04 15:55
Deve ser por as nódoas se marimbarem para o sabão que lhes cai o melhor pano.
Com um bocado de sorte, levas o azul em lápis.
Carla 2014-02-04 16:00
Ora, eu sou muito sensível a estas coisas, para o bem ou para o menos bem.
Também pela constatação da atrapalhação. Uma morte atrapalhou um mês inteiro e uma manhã de sexta - que chatice, havia coisas tão mais interessantes para fazer.