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que as paredes venham, que o silêncio suba pelo corpo,
a noite inteira, centímetro a centímetro

que as paredes venham, que o silêncio suba pelo corpo,
a noite inteira, centímetro a centímetro

em todas as noites me feres como um animal
a carne queimada junto ao coração

quantas maneiras há para escavar o teu nome no silêncio?


Quem inventou a dor ao fim de um dia de sal?
Quem te imaginou na minha cabeça?
Quem apagou a luz do céu?
Esta (não sei como lhe chamar) toca-me duma maneira que não tem tamanho. Como se pode ser insensível a uma pessoa que se dá desta maneira? E no entanto a poucas pessoas falei nisto, porque sei que essas poucas pessoas nem ouviram até ao fim, por falta de interesse. E a mais não falo. Porque razão me hei-se massacrar mais? Se me quiser sentir de marte, vou para marte.
Há quem diga que a chuva são lágrimas
Pessoalmente não acredito. O INEM não sairia de casa por tão pouco.
Não se fecha estradas ou interrompe o trânsito por um lamento.
No entanto, mesmo quando choras em silêncio, sinto o grito da terra.
E nesse momento o mundo acaba.
e outro, e outro, e outro, e mais outro. Ah máquinas infernais, parem esse matraquear de dias sem fim.
Parem esse morrer e nascer incessante de coisas velhas.
confesso que me canso
canso-me dos almoços e da falta de almoços
canso-me dos risos e da falta de riso
canso-me dos silêncios e da falta de silêncio
canso-me
até de me cansar
se diz e se diz numa ânsia sem conseguir parar como uma febre que nos avassala e trata mal como um calor que arrepia e não há nada e não há nada
faz-se espada
rasga a carne
vem

de pé
...
para morrer

cala-me
Tanta água. E desaparece tão depressa como se por artes mágicas. A terra chupa tudo. Chupa tudo e desaparece. Para sempre. Quem se lembra da chuva de ontem?
Ando perdido e ando roto. A única vantagem do modelo dos blogues é reflectirem estas coisas. De resto é um sorvedouro. Tal como a terra com a chuva.

arranca-me os olhos
liberta-me do chão
todos os dias são quinta-feira
de vez em quando vejo algo que é perfeito
depois passa e desaparece.
de vez em quando vejo algo que é ...
e fica. sou eu.
e depois reparo que a perfeição. que a perfeição está suja.
A vida é uma merda. A gente dobra-a, verga-a, pomos-lhe umas mantas e uns cartões a modos de conforto. Dói menos, amortece as feridas. Há mesmo uns momentos em que pensamos ser tudo nosso. Mas não, a realidade é que a vida dói. E muito.
Sabem o que me separa de um suicida?
É que mesmo esta dor que a vida me traz, me sabe bem.
Sabe-me a vida.
punhal de manhãs
carne sangue
e morte
que o silêncio fosse comum
medo, talvez.
Na realidade não sei, limito-me a imaginar.
Conduzo sem cinto, acho que todos os filhos da puta têm sorte, meto o dedo no nariz, gosto do 2become1 das spice girls. Já contei piadas com pretos, maricas e alentejanos, não respeito bichas e nunca hei-de dizer fila em vez de bicha.
Tem dias em que as pessoas e o mundo me metem nojo
e por vezes dói-me sem saber o que fazer a tanta dor.

dificuldade em respirar
Hoje apercebi-me mais uma vez da inutilidade de todas as coisas.

Morre-se de plantar flores
nas esquinas.

O Senhor reconheceu que a maldade dos homens era grande na Terra, que todos os seus pensamentos e desejos tendiam cinicamente para o mal. O Senhor arrependeu-se de ter criado o Homem sobre a Terra e o Seu coração sofreu amargamente.

onde está o mundo?

dentro do medo.
Sonhei que as noites eram claras e me envolviam em braços de ternura.
E depois senti raiva.