Esta noite
esta noite
senti o mar incendiar-se
nas tuas mãos
arderam os olhos
nas tuas mãos inteiras
enormes
esta noite no teu peito
inventei estrelas
que não conhecia
esta noite
senti o mar incendiar-se
nas tuas mãos
arderam os olhos
nas tuas mãos inteiras
enormes
esta noite no teu peito
inventei estrelas
que não conhecia

Amo-te com uma força que não tenho, com passos que não sei.
Amo-te com raiva.
Amo-te com desespero, com uma ternura louca.
Amo-te com imensidão.

Quero habitar o teu corpo
entrar pelos olhos
demorar-me na língua
dormir no cabelo
She can make the birds and bees get down on their little knees, she can whisper to the breeze
Há mulheres raras.
Há dias raros ao lado de uma mulher eterna.
Quando não tiver já corpo
nem houver a quem o dar
ainda assim serei teu

Nas tuas costas
desce a chuva
aos meus olhos molhados.
É pelos olhos que entra a água.


amor amor amor
repete comigo
as palavras que nos dão paz.
enlouqueces-me maravilhas-me atrapalhas-me apaixonas-me cegas-me confundes-me. Tu inspiras-me.
Tu tu tu tu tu tu tu tu tu tu tu .....
Quero tanto de ti e tão próximo que anseio que fosses o ar, o chão, as paredes, tudo.
Que tudo o que tocasse fossem os teus braços. Que tudo o que sentisse fossem os teus lábios.
Como quando fecho os olhos e tudo o que não vejo és tu. Como quando não durmo e tudo o que sonho és tu.
Contigo não consigo respirar. Sem ti não consigo viver.
Quero estar tão dentro de ti que nem a luz do dia exista para mim. Quero abraçar-te tanto que todo o mundo colapse e desapareça num pequeno ponto entre os meus braços.
Toca-me com as tuas mãos. Faz-me desaparecer com a tua pele. Sufoca-me na tua língua. Arrasta-me pelo ar com o teu perfume. Mata-me de vez.
Odeio-te porque existes. Odeio-te porque não estás aqui. Amo-te tanto.
De repente tomo consciência da tua ausência e faz-se noite. Porque não me respondes quando te falo? Porque não te sinto quando estendo o braço? Porque te escondes?
TU
se fosses chuva, do céu só cairiam pérolas ... E até o chão gritaria de prazer

o amor nasce da lama, onde a música é mais límpida

que quase conheço.
Deito-me a seu lado
e quando os olhos arderem
devagar, beija-me.
que há no rosto dela
o negro chove-me pelos dedos
os cabelos descem como beijos
e a noite era algo que guardávamos em silêncio no corpo
assim reinventámos a inútil arte de amar
nos intervalos do amor não há nada
só o bolor
como pode o bolor queimar tanto como queima?

mas mesmo nas cinzas resta fogo
mesmo no fogo restas tu

um ramo noutro ramo
e a voz baixinho junto ao peito
uma fatia de tecido
outra fatia de tecido. mais fina.
e finalmente a pele.
peguei na tua sombra e voámos
(fomos felizes)

a cheirar a terra
peguei nos teus olhos e dançámos
semeia com a língua mãos aqui neste lugar
aqui
na (ternura) de um beijo
Quero morrer desses beijos
declaram findos os lírios em sangue
Dá-se início aos jasmins e amores perfeitos
Aqui canta-se.

fez-se um chão enorme no silêncio do corpo
um chão fundo de flores e campas
seco
pequenos espaços em ruínas
e de repente...
um sorriso
nos lábios nasce uma palavra fresca
a pureza do dia em que se morre.
Conta-me as palavras que me dizias
antes de nos conhecermos
conta-me o que dizias
quando as palavras eram mudas
encosta a cabeça na minha mão
e conta-me.

na tua saliva
recolho alimento para morrer de ti
para um novo dia
Para ti.
do acto de amar
lento e só

um amar e desamar
um sofrer sem o saber

esse rumor que te dou
na urgência do beijo

quando visitam as minhas manhãs

uma rosa cresceu a meus pés
como uma brisa
ouvi-a de olhos lentos
e dormi com o sorriso que ela me deu

e caio sobre ti como algo imenso.
os bons momentos que passei
foram aqueles em que me amaste