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Se tu fosses
a sombra da água

a respiração
Se tu fosses
a sombra da água

a respiração
Víctor Jara foi professor, diretor de teatro, poeta, cantor, compositor, músico e ativista político. Durante o golpe de estado de Pinochet foi preso e torturado durante dias. Esmagaram-lhe as mãos. Cinco dias depois foi morto e atirado para a rua. Quando o encontraram tinha quarenta e quatro balas no corpo.
Em 2018 (45 anos depois) os soldados que o mataram foram julgados e condenados. Pinochet, o mandante, nunca foi julgado.
Por razões humanitárias, em 1998 o governo inglês ignorou um mandado de captura espanhol e deixou-o voltar ao Chile.

Nunca fui de ódios nem de magoar com vontade. Consegui entretanto perder a inveja e a necessidade de ter a última palavra. Ou de ter a palavra.
Perdi o assobiar na rua e tenho pena. Andava e assobiava imenso. Tinha um repertório. Às vezes ainda tento.


Adiar o inevitável
Evitar o inadiável
chorei
Ontem pus a sacar tudo o que pude do Louis Theraux. Hoje ao acordar, comecei a maratona.
Ele sabe o que perguntar e como perguntar. Sabe escolher a quem perguntar.
Pergunta o que nunca seria capaz. Mostra-me o que nunca veria de outra maneira.
E relembrou-me o poder de uma pausa na conversa.
Quando a pessoa com quem está a falar acaba uma frase, por vezes não responde nem pergunta. Fica em silêncio.
Em parte porque se dá o tempo para pensar, em parte pela pressão de quebrar o silêncio faz com que a pessoa diga coisas extraordinárias após a pausa, ao retomar o que dizia.
O melhor não é o que se diz primeiro. Precisa de tempo e espaço para aparecer.
É como um amor. Precisa de namoro.
Diz me
O amigo Ben é este