Esfera

Numa esfera monocorda
um pouco de vermelho
Ternas lágrimas, flor de fruto
lentas feridas ao correr do campo

Numa esfera monocorda
um pouco de vermelho
Ternas lágrimas, flor de fruto
lentas feridas ao correr do campo
Farto da malta que quer parecer e aparecer
Faço por andar em cantos desencantos, mas insistem em entrar-me pelos olhos adentro a cada esquina
Porque levamos as mãos á cabeça e não aos joelhos rabo ou peito?

está sol
Na Bolivia há gente que protesta e quer ter voz. Todos os dias abro as páginas dos meios de (des)informação ocidentais, e abrem logo com os protestos em Hong-Kong. Onde não se matam pessoas. Onde a polícia não dispara balas de fogo real. Sobre a Bolivia, zero. Silêncio.
Isto não é democracia. Isto não é um mundo decente. É um sistema feito pelos poderosos para se perpetuarem no poder.

Tenho a sensação que as canções que a gente manda para o público deixam de ser nossas, passam a fazer parte da vida dos outros.
Não tenho nada a ideia de que sou dono das minhas cantigas. É mentira, pá.
Se reparares bem, amanhã também é ontem. Tal como ontem já foi amanhã.
As palavras são das poucas formas que me restam para comunicar, e custa-me saber que são feitas de ar.
Falo sons transparentes.
Já viste tantos sóis como os que hás-de ver, porque conheço a tua força.
E os teus sonhos não morrem, nunca.
a partir de hoje lavo as mãos antes de urinar
Li onde não posso comentar sobre o estar em casa. Uma vez perguntaram-me o que faz com um local seja a nossa casa.
Não sei bem, só sei que se sente quando lá estamos. E quando não estamos queremos voltar.