Lisboa tem manhãs e são bonitas

e eu que não consigo dar por nada

e eu que não consigo dar por nada
sintomeestranhocomoseumacoisagrandeepesadametivessecontagiadoecontaminado
comamaniadeescreverdeformacompletamenteirreconhecivelcomoseessadoencamecomessetodooespaco
etodososespacosvirgulasemparticularepontuacaoemgeralmasdeveserimpressaominha
porqueissonaodeeveexistirenaoebomandarainventarcoisas

que fazer com estas mãos?
que fazer com a vida?
se diz e se diz numa ânsia sem conseguir parar como uma febre que nos avassala e trata mal como um calor que arrepia e não há nada e não há nada
peguei na tua sombra e voámos
(fomos felizes)
Hoje ao estacionar, sem querer riscaram-me a vida.
uma raiva primitiva
a que cresce pelas unhas
a propósito de cerejas cheguei à conclusão que a felicidade sabe a pele quente
digo o teu nome
(em segredo)
Por que raio queremos nós saber o que nos falta, quando nem sabemos o que temos?