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Acordei a ver nuvens passar.
Não consigo compreender como isto faz parte do mesmo mundo que passa à superfície da terra.

Acordei a ver nuvens passar.
Não consigo compreender como isto faz parte do mesmo mundo que passa à superfície da terra.
Passou à minha frente uma gaivota a andar. Imponente, a Imperatriz das gaivotas.Entre duas passadas largou uma poia como se não fosse nada a meio da sua imponência.
Duvidei dos meus olhos e quis fazer rewind. Não deu.
Será que vem na realidade 2.0?
A gente facilita. Se tiver pernas e falar, é uma pessoa.
Devia haver testes de acesso. Há que merecer.
isto de estar vivo, tem muito que se lhe viva
Deveria haver desde a primeira classe aulas de indignação.
Em que os alunos aprendiam a se organizar para defender os seus direitos e atingir aspirações.
Chamar-se-ia Revolta I.
Seria imediatamente a seguir a Desejo I, onde os alunos seriam incentivados a desejar e exteriorizar tudo o que não fosse material.
Talvez então deixássemos de ser um povo de cadáveres politicos.
Passar pelas brasas é dormitar, como se alguém a passar por brasas pudesse dormir.
Cada minuto tem mais cores que a mais extensa palete de cores que se possa imaginar.
Mas isto que vejo, é vida ou imaginação?
o mundo tem tantas cores cousas trecos cenas aparatos e tralhas
vagas entes máquinas artefatos fontes apetrechos e pessoas a navegar por cima
tão bom
passo por homens, mulheres, sei o que desconheço deles
nem de mim sei, mundo entre mundos
que é isso do universo?
mas sei que gosto

Ilumina e queima.
Uma critica tem um peso moral, que o alvo da critica está a fazer mal e devia fazer de outra maneira.
Uma opinião é só uma ideia no ar para que o outro faça o que quiser com ela.
O melindre surge quando se toma as opiniões como sendo criticas.
e se demoram
sempre tem alguém ou algo esperando por você, algo mais forte,
mais inteligente, mais maligno, mais gentil, mais durável, algo maior, algo melhor, algo pior,
algo com olhos como o tigre, mandíbulas como o tubarão, algo mais louco que louco, mais são do que são,
sempre tem algo ou alguém esperando por você
enquanto calças os teus sapatos ou enquanto dormes
ou enquanto esvazias um caixote do lixo ou acaricias o teu gato ou escovas os dentes ou comemoras um feriado
sempre tem alguém ou algo esperando por você.
tenha isto bem em mente para que quando acontecer
você estará o mais pronto possível.
Enquanto isso, um bom dia para você
se ainda estiveres lá.
Acho que estou... Acabei de queimar os dedos neste cigarro.

O funcionário cansado insultou de forma colorida a tecnologia que nos põe a servi-la, em vez de servir o que temos de mais humano
Procura a maravilha e não a eficiência ao serviço de shareholders
Sou culpado de muita coisa, mas do vazio nunca

Cecília por que me
chegaste agora?
Ainda respiro, mas morro
lentamente.
Oh, Cecília! Por que me
chegaste agora?
Ainda canto, mas vivo
lentamente.
E já não quero caminhar,
e vens me dizer que vôo!


As memórias do que vivi e do que sonhei são-me igualmente queridas. Tudo é um.
Que diferença faz ter sonhado ou vivido?



O pior melhor da vida é que cada pedacinho desemboca em tantos outros pedacinhos
E não há vida que chegue para tanta vida
Espaço reservado a quem sabe aritmética
Escolhe não usar
E depois usa
Ás vezes
Quando os deuses terrenos descem ao céu
O puto de 1 ou 2 anos amarrado na cadeira, brinca com os pés.
aproveita enquanto consegue brincar com os pés.
A avó esparralhada na cadeira, brinca com o telemóvel.
aproveita enquanto pode brincar com o telemóvel.
Os pais não estão aqui. Estão algures, quem sabe
enquanto podem
Há mais que um caminho para o céu
Ikigai é a busca e realização do propósito de vida, onde paixão, missão, vocação e profissão se encontram. É encontrar significado naquilo que fazemos, vivendo uma vida alinhada com nossos valores e objetivos.
Wabi-sabi é uma estética que celebra a beleza encontrada na imperfeição, simplicidade e transitoriedade das coisas. É a apreciação do que é modesto, humilde e envelhecido, valorizando as marcas do tempo e os detalhes singulares que tornam algo único. Ao integrar o Wabi-sabi em nossas vidas, aprendemos a aceitar a natureza efêmera das coisas e a encontrar alegria na simplicidade.
Yuugen expressa a ideia de profundidade e mistério, sugerindo que há algo mais nas experiências e na vida do que podemos perceber imediatamente. Envolve a apreciação do incompreensível, reconhecendo que nem tudo precisa ser explicado ou compreendido racionalmente. Incorporar o Yuugen em nossas vidas nos convida a abraçar o mistério, a beleza oculta e a complexidade que existe em todos os aspectos da existência. Ao fazer isso, abrimos espaço para uma apreciação mais profunda e uma conexão mais rica com o mundo ao nosso redor.
Iki representa um senso de estilo e elegância despretensioso. É a capacidade de apreciar a sofisticação sem exibicionismo, valorizando a modéstia e a beleza encontrada na simplicidade. Iki envolve uma atitude refinada e um modo de vida que equilibra o refinado com o discreto.
Ma refere-se ao espaço e intervalo entre elementos. É a consciência do vazio que dá forma ao cheio, a pausa que dá significado ao som. Ma destaca a importância de reconhecer e apreciar o espaço, permitindo que ele contribua para a totalidade da experiência.
Oubaitori é a representação e o lembrete de que somos todos únicos, como flores distintas em um jardim. Essa filosofia nos ensina a não nos compararmos com o próximo justamente porque somos diferentes, cada qual com seu jeito especial, seu próprio tempo de brilhar e seu próprio espaço no mundo.

Gosto de estrelas diurnas que se alimentam da noite
Um dia hei-de precisar só do que flutua


Não é o novo nome que o torna diferente ou mais perigoso
é a falta de espírito crítico
Excertos de cartas enviadas aos 71 anos por Marcelo Caetano exilado no Brasil, a Maria Helena Prieto.
Ele: "De há uns tempos para cá me sinto às vezes leve como um passarinho. Não se pode dizer nada disto a ninguém porque todos achariam ridículo. E se calhar é mesmo."
Ele: "Agora só ambicionava poder reformar-me para borboletear por um assunto ou outro ao sabor da oportunidade ou da fantasia. Ai de mim."
Ele: "Estamos brincando com o fogo... com aquele fogo que arde sem se ver... estamos brincando com a água do oceano que nos separa"
Ele: "Penso em ti todos os dias e contigo converso dia e noite como um fala-só"
Ele: "Enquanto pudermos gozar o momento que passa
E vibrar porque chegou a carta ansiosamente esperada
E lê-la com voracidade e emoção
E relê-la uma e mais vezes
Com o entusiasmo de uma adolescência renascida"
Ela: "Lembrei-me que era mulher de carne e osso: em homenagem ao puritanismo, numa hora de brutal estupidez, assassinei o milagre"
Ela: "Estupidez assassina a minha! Nunca mais tornaria a receber as cartas maravilhosas que me escrevias com entusiasmo juvenil: com a graça, a naturalidade, o abandono da confiança!"
Ele: "É curioso como se inverteram situações. Lembro-me de, em tempos, me dizeres que temias um encontro, receosa de que eu tivesse uma decepção a teu respeito. Hoje quem teme a visão 'face a face' sou eu. Sou eu que nas tuas cartas me vejo sobrevalorizado e idealizado, e tenho medo que a realidade choque. Esta vida de reformado que levo, com pouca atividade social e o trabalho que eu próprio invento para encher o ócio, fez-me perder muito do desembaraço antigo e a autoconfiança."
Ela: "É difícil conformar-me: mas que remédio? Amar-te já não gera tragédia"
Ele: "Ao recebê-la aqui no Rio, fi-lo com o maior prazer, mas procurando sempre evitar qualquer manifestação de ternura que desse lugar a algum equívoco ou pudesse alimentá-lo. Não me foi difícil porque, como disse, durante esta ano envelheci."
No dia seguinte a esta última carta, ele morreu.

Desconfio que existe inquietação em todos nós. Mais ou menos conhecida.
A inquietação custa. Água estagnada apodrece.
Inquietação assim assim? Ok butes nessa manessa
o meu rio, a minha cidade e a minha música
caraças, fiquei de alma cheia

não é por acaso que se diz música ao vivo, comparativamente qualquer reprodução é música desvanecida
BASTA! UMA GERAÇÃO, QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR POR UM SCROLL É UMA GERAÇÃO QUE NUNCA O FOI! É UM COIO D'INDIGENTES, D'INDIGNOS E DE CEGOS! É UMA RÊSMA DE CHARLATÃES E DE VENDIDOS, E SÓ PODE PARIR ABAIXO DE ZERO! ABAIXO A GERAÇÃO! MORRA O SCROLL, MORRA! PIM!".[
O antibiótico cura
O tinto maravilha
How can we dance when our earth is turning?
How do we sleep while our beds are burning?
Aquele que conseguir fazer a montanha tremer e reverberar o som, e criar um eco da voz da montanha recebe uma ovelha.

Achada, é verdade ?!
Quem ? A eternidade.
É o mar que o sol
Invade

Nas mesmas paredes onde noutra vida vida vi o David Hockney, vi este Cruz-Filipe que tem as suas semelhanças.
Não me bateu como o Hockney, aquela sensação de inesperado. Mas tem a construção que me agrada.
Há fotógrafos que fazem gala do realismo. O que mostram é o capturado pela máquina, sem a minima alteração ou reenquadramento sequer. Como se escolher o assunto e enquadramento no momento do click, não fosse já por si a escolha duma realidade.
Mas o que gosto é da fotografia que se faz. Se um pintor tem liberdade completa, um fotógrafo também deve ter. É isso que este fulano faz. E gosto.







Gmail’s promise — vast storage mediated by powerful search tools — became the promise of virtually everything online. There is so much I loved in those archives. There is so much I would delight in rediscovering. But I can’t find what matters in the morass. I’ve given up on trying.
What began with our files soon came for our friends and family. The social networks made it easy for anyone we’ve ever met, and plenty of people we never met, to friend and follow us. We could communicate with them all at once without communing with them individually at all. Or so we were told. The idea that we could have so much community with so little effort was an illusion. We are digitally connected to more people than ever and terribly lonely nevertheless. Closeness requires time, and time has not fallen in cost nor risen in quantity.
The digital giants profit off my passivity. I now pay Apple and Google a monthly fee for more storage. It would take too long to delete everything necessary to remain beneath their limits. Various algorithms attempt to do for me what I no longer do for myself. They present me with pictures from my past and offer to sell me books of my own memories. They serve me up songs that are like the ones I’ve loved before but lost long ago. My feed is stuffed with recommended content from influencers and advertisers who mean nothing to me.
Estamos destinados a ser vasos?

Esta foto é de quem escrevia e nunca tinha usado uma máquina fotográfica.
Não quero apenas viver, quero mais. Mas mesmo só isso, é maravilhoso. Viver.
porque eu já não sei escrever.
-as minhas unhas, os meus dedos, a minha boca já não sabem escrever.
já não sei escrever.
-os meus olhos, as minhas pupilas, o meu nariz já não sabem escrever, nem sabem dizer.
Já não sei mais, para ser sincera as palavras morreram no sofá da sala sem se explicarem, sem se despedirem da minha cabeça
as minhas unhas
os meus dedos
a minha boca
os meus olhos
um nariz desenhado no espelho
(precisávamos todos tanto delas)
Já não sei mais, não sei mesmo, como se algo tivesse secado cá dentro,
talvez um poço.
Talvez eu fosse ou tivesse esse poço.
Já não, já não.
- falta falar do som teclado quando os dedos me batem desesperados como se quisessem viver ali
Já não.
Já não sei mesmo, voltar a escrever.
https://desfibrilhador.blogspot.com/2024/03/do-regresso.html






ruas onde o perigo é evidente
braços verdes de práticas ocultas
cadáveres à tona de água
girassóis
e um corpo