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tirando os olhos que tendem a falar
e a boca que tende a olhar
tirando os olhos que tendem a fechar
e a boca que tende a abrir
tudo sul a norte do oeste
tirando os olhos que tendem a falar
e a boca que tende a olhar
tirando os olhos que tendem a fechar
e a boca que tende a abrir
tudo sul a norte do oeste
Hoje falei e falei para o telemovel já sem bateria. Chorei e fui feliz. Foi bom.
O que isso conta em relação ao grande esquema das coisas? Nada de especial.
A bola chutada pelo pé do ronaldo ir um centimetro para a esquerda ou para a direita, gasta litros de tinta e saliva em comentadores televisivos.
O meu ou o teu choro? Menos que pó num poste perdido algures na África do Sul.

Um dia, quem sabe,
ela, que também gostava de bichos,
apareça
numa alameda do zôo,
sorridente,
tal como agora está
no retrato sobre a mesa.
Ela é tão bela,
que, por certo, hão de ressuscitá-la.
Vosso Trigésimo Século
ultrapassará o exame
de mil nadas,
que dilaceravam o coração.
Então,
de todo amor não terminado
seremos pagos
em inumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me,
nem que seja só porque te esperava
como um poeta,
repelindo o absurdo quotidiano!
Ressuscita-me,
nem que seja só por isso!
Ressuscita-me!
Quero viver até o fim o que me cabe!
Para que o amor não seja mais escravo
de casamentos,
concupiscência,
salários.
Para que, maldizendo os leitos,
saltando dos coxins,
o amor se vá pelo universo inteiro.
Para que o dia,
que o sofrimento degrada,
não vos seja chorado, mendigado.
E que, ao primeiro apelo:
– Camaradas!
Atenta se volte a terra inteira.
Para viver
livre dos nichos das casas.
Para que doravante
a família seja
o pai,
pelo menos o Universo,
a mãe,
pelo menos a Terra.

Um dia, quem sabe
seremos pagos
em inumeráveis noites de estrelas.
E que doravante
o pai seja pelo menos o Universo,
e a mãe pelo menos a Terra.
estiveram aqui dois pombos enrolados, aquilo eram bicadas eram golpes de asa
foi intenso, mas fiquei sem saber se foi zanga ou amor
não me atrevi a ir perguntar
Como tudo na vida, os restaurantes também têm um ponto de equilibrio
Ser o único resulta em que os empregados não têm mais nada para fazer que olhar para mim
é desconfortável
O outro extremo é estar tanta gente que para pedir a conta é preciso pôr-me nu em cima da mesa
gosto disto pelo motivos menos óbvios, admiro quem faz o que não se vê
quando era puto a malta que levava saco ou mochila para a praia, procurava que a mochila fosse gira e com estilo
havia um gajo que levava as coisas num saco do pão do acúcar, se fosse preciso com buracos
todo ele era desprendimento
mais tarde apercebi-me que não era desapego, era pose. o saco do pão de acúcar era para ser visto
a preocupação pelo estilo era igual
neste video, para além do punho erguido
gosto de coisas como ele se desencontrar da própria sombra
quando ia para o carro, tirei a t-shirt porque estava calor
pareceu-me natural
mas o natural só é natural em locais previamente aprovados (por quem?)
tirar a t-shirt num jogo de futebol é normal
na rua não é
tirar a t-shirt num concerto de musica rock é aceitável
se for musica classica não é
Em tempos escrevia em guardanapos e sacas de batatas
escrevia por uma esperança vaga
hoje é-me difícil escrever numa terra sem papéis e canetas
em redes sem rede, no mar alto em que nos afogamos
alegremente em conjunto