Gosto de ti calada porque estĂĄs como ausente,
e me ouves de longe, e esta voz nĂŁo te toca.
Parece que os teus olhos foram de ti voando
e parece que um beijo fechou a tua boca.

Como todas as coisas estĂŁo cheias da minha alma
tu emerge das coisas, cheia da alma minha.
Borboleta de sonho, pareces-te com a minha alma,
e pareces-te com a palavra melancolia.

Gosto de ti calada e estĂĄs como distante.
E estĂĄs como queixando-te, borboleta em arrulho.
E ouves-me de longe, e esta voz não te alcança:
vais deixar que eu me cale com o silĂȘncio teu.

Vais deixar que eu te fale tambĂ©m com o teu silĂȘncio
claro como uma lĂąmpada, simples como um anel.
Tu és igual à noite, calada e constelada.
O teu silĂȘncio Ă© de estrela, tĂŁo longĂ­nquo e tĂŁo simples.

Gosto de ti calada porque estĂĄs como ausente.
Distante e dolorosa como se houvesses morrido.
Uma palavra entĂŁo, um teu sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre porque nĂŁo Ă© verdade.

Poema 15 rés de chão esquerdo