Faço tudo propositadamente por acidente

não sei outra maneira

não sei outra maneira
Eu egocêntrico. Eu que me tenho em alguma conta. Eu que sempre tentei ser independente e não contar com o acaso para nada.
Esse mesmo eu, sozinho não é nada. Até para escrever preciso de inspiração. De alguém ou de algo. Seja um amor, um copo ou uma flor.
Para a satisfação plena do que fiz, preciso que alguém (que não eu) olhe e aprecie.
E assim que me resta? Uma dependência total e absoluta. Do amor, do copo e da flor.
E dos outros. De ti e de ti.
com as manhãs que nos recebem assim nas suas grutas frias
ou talvez estejam só tristes
Por que raio queremos nós saber o que nos falta, quando nem sabemos o que temos?
digo o teu nome
(em segredo)
a propósito de cerejas cheguei à conclusão que a felicidade sabe a pele quente
uma raiva primitiva
a que cresce pelas unhas
Hoje ao estacionar, sem querer riscaram-me a vida.
peguei na tua sombra e voámos
(fomos felizes)
se diz e se diz numa ânsia sem conseguir parar como uma febre que nos avassala e trata mal como um calor que arrepia e não há nada e não há nada